Aspectos
médicos da circuncisão
cir.cun.ci.são
sf (lat circumcisione)
1- Ato ou efeito de circuncidar. 2-Corte do prepúcio,
usado como rito religioso entre os judeus e muçulmanos
e como medida sanitária na cirurgia moderna.
Há mais de 3000 anos, a circuncisão (brit
milá) é realizada entre os judeus, segundo
a tradição, como forma de selar um pacto realizado
entre D's e Abrahão (Avraham). Várias são
as interpretações dos rabinos para a realização
da circuncisão.
Após o nascimento de Itzhak, quando Avraham tinha
99 anos e sua mulher Sara, 90 anos, um anjo enviado por
D's ordenou a Avraham que sacrificasse seu filho Ytzhak,
já que ele, Avraham não tinha acreditado quando
da promessa divina de que apesar da idade avançada,
sua mulher poderia ainda lhe dar um filho. Avraham nesta
época já tinha um filho com sua escrava Agar.
O pacto da aliança, brit milá, assim como
sua fé incondicional em D's, tornou Avraham o pai
de uma nova nação a partir daí.
Existem, entretanto, relatos egípcios mais antigos
ainda sobre a circuncisão, provavelmente associados
à prevenção de doenças e de
caráter exclusivamente higiênicos.
De acordo com recentes estudos publicados no New England
Journal of Medicine, a circuncisão oferece praticamente
proteção total contra o câncer de pênis.
No estudo, nenhuma das 1600 pessoas estudadas com câncer
de pênis haviam sido circuncisadas. Nas palavras dos
pesquisadores Cochen e McCurdy, autores do estudo, a incidência
de câncer peniano é zero entre os homens americanos
circuncisados.
Vários estudos relatam ainda que meninos circuncisados
estavam de 10 a 39 vezes menos suscetíveis a contrair
infecções urinárias durante a infância
do que meninos não circuncisados. Além disso,
a circuncisão protege contra infecções
bacterianas, fúngicas ou parasitárias. Entre
30 a 40% dos homens não circuncisados apresentam
durante suas vidas de adolescência ou adulta problemas
que vão levá-los à realização
da postectomia, denominação médica
para a circuncisão. A taxa extremamente baixa da
presença de câncer de colo de útero
em mulheres judias ou não, casadas com homens judeus
(10 a 20 vezes menos que em mulheres casadas com homens
não circuncisados) certamente também está
relacionada à realização da circuncisão.
Como resultado destes estudos, numerosas organizações
e associações médicas reconheceram
os benefícios da circuncisão: a Associação
Médica Americana de Pediatria há alguns anos
apóia e endossa a realização da circuncisão
no recém nascido como forma de protegê-lo contra
agentes infecciosos e contra uma situação
denominada de parafimose - quando se tenta realizar a higiene
do pênis, "puxando-se" com certa violência
o prepúcio para trás, provocando grande edema
(inchação) da pele ao redor do pênis,
com riscos de estrangulamento e a Associação
Médica da Califórnia, que além de endossar
a circuncisão, a considera como uma medida efetiva
de saúde pública.
Após realizar mais de 3000 circuncisões em
recém nascidos desde 1980, com menos de 1% de complicações
(sangramento, aderências) todas elas resolvidas sem
qualquer prejuízo para a integridade do ato cirúrgico
ou para a saúde da criança, como homem, médico
urologista e judeu, posso assegurar que a circuncisão
no recém nascido é hoje um procedimento simples,
rápido, indolor (utilizamos anéstésico
local) e seguro, com vantagens evidentes imediatas e futuras
para a criança.